
Quando se procura um carro usado, é natural que a quilometragem seja um dos primeiros aspetos a analisar.
Contudo, um número elevado no odómetro nem sempre significa um mau negócio. Da mesma forma que poucos quilómetros não garantem que o veículo esteja em boas condições.
Na realidade, o estado geral do automóvel, o histórico de manutenção e o tipo de utilização têm um impacto muito maior na sua fiabilidade do que a quilometragem por si só.
A quilometragem vs idade do carro
Antes de tirar conclusões, compare sempre os quilómetros com a idade do veículo. Em Portugal, um automóvel percorre, em média, entre 15.000 e 20.000 quilómetros por ano.
Assim, um carro com cinco anos poderá ter cerca de 100.000 km e continuar a apresentar um desgaste perfeitamente normal. Pelo contrário, um veículo muito antigo com poucos quilómetros também merece atenção, pois longos períodos de inatividade podem acelerar a degradação de componentes como borrachas, vedantes e fluidos.
O tipo de motor faz toda a diferença
A durabilidade de um automóvel varia consoante a motorização. Por isso, não existe um número universal que determine quando um carro tem “quilómetros a mais”.
Motores a gasolina
Os motores a gasolina atuais conseguem ultrapassar os 200.000 km sem dificuldades, desde que cumpram o plano de manutenção recomendado pelo fabricante.
Até aos 150.000 km, a quilometragem é normalmente considerada baixa a média. Entre os 150.000 e os 250.000 km, torna-se essencial confirmar o histórico de revisões e o estado mecânico do veículo.
Motores a diesel
Os motores a diesel continuam a destacar-se pela sua longevidade, sobretudo quando realizam percursos longos em estrada.
Não é incomum encontrar modelos com mais de 300.000 km ainda em bom estado. Ainda assim, a partir dos 200.000 km, convém verificar componentes como a embraiagem, o turbo, os injetores e o sistema de distribuição.
Híbridos e elétricos
Nos híbridos, a combinação entre motor térmico e elétrico reduz o desgaste de vários componentes, permitindo uma vida útil bastante elevada.
Já nos veículos 100% elétricos, o fator decisivo deixa de ser a quilometragem e passa a ser o estado de saúde da bateria, também conhecido como State of Health – SoH. Antes da compra, vale a pena solicitar um relatório que indique a capacidade real da bateria e a autonomia disponível.
Atenção aos momentos de manutenção
Independentemente da quilometragem, existem intervenções que não devem ser adiadas. A substituição da correia de distribuição, por exemplo, depende tanto dos quilómetros percorridos como da idade do veículo.
Além disso, pneus, amortecedores, travões e bateria devem ser inspecionados regularmente para evitar despesas inesperadas após a compra.
Mais importante do que os quilómetros é o histórico
A quilometragem continua a ser um indicador relevante, mas nunca deve ser o único critério na compra de um carro usado. Um automóvel bem mantido, com revisões documentadas e utilizado de forma cuidada, pode revelar-se muito mais fiável do que outro com menos quilómetros, mas sem qualquer histórico conhecido.
Antes de tomar uma decisão, analise o conjunto da informação. Dessa forma, aumenta as probabilidades de encontrar um veículo em boas condições e reduz o risco de futuras reparações inesperadas.
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